Vermelho escreve-me adensamente

Vermelho escreve-me adensamente no corpo criado pelo sorriso de uma flor

domingo, 23 de janeiro de 2011

Lamento de uma rapariga

E os meus olhos deslizam
Sobre o corpo seco e desvanecido
Sem mais amar
Canto a triste canção de martírio e dor
que toda penetra em meus olhos
Sem o abrigo da luz
Que dilatava-me o sentidos
(Como posso?
Contenho, o sou)

Nada.
E ainda assim,
Sou um corpo moribundo
Desnudo de luz
E que aspira ancorado
Em outro seio

( que não o jamais)

Sem mais sonhos
Teço ilusões
Com meu canto sem alma
Tragado pelo próprio
Lamento do espírito

Desfaço-me do corpo
Que indesejado
Me possuiu
E me embanhou de suores febris
Extasiado pelo corpo que um dia foi meu
(Ao regalo de outros corpos
Me pariu a dor
E me embalsou em beijos)

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Gosto de revirar-me dentro de mim.
Como em dias mudos -
Me aconchego no peitoril da porta
E quietinha olho o vento no meu rosto

Olho o vento
E ele me rebuliça

Saio fora para ver.
Para quê tinta, papel
Se tudo que eu tenho
Está aqui
Dentro de mim
Sangrado, suado, chorado, gozado

Tudo escrito aqui com as letras marcads na pele
-Ai minha pele, que me desnuda
Que me repele

Gostoso mesmo é quando deixam marcas
Daquelas que só se faz uma vez
-Escreve-me em ti

Escreve o amor no meu peito

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Para meditar

Parando pra sentir

Parado pra sentir

Sentir ir sentindo.

Parar ir pensando

Pensando parado em pensar.

Vendo o que penso.


Assim parado.

sábado, 18 de setembro de 2010

Chá Verde

Tiê

Composição: Tiê

Eu tentei evitar
Liguei a tevê
E deitei no sofá
Desde que haja tempo pra sonhar
E assuntos pra desenvolver
Não é muito fácil desligar

Me dá pena do meu chinês
Por ele eu passava o dia inteiro
A meditar
Bebendo chá verde ele me diz
"Fica feliz que vai funcionar"
Mas eu tô feliz,
Eu juro pelo meu irmão
O saldo final de tudo
Foi mais positivo que mil divãs

Por isso que não adianta
Querer julgar
É cada um por si
Na sua
Própria bolha de ar
Mas o que eu penso mesmo
É encontrar alguém que me dê carinho e beijo
Me trate como um nenêm,
Me trate muito bem
Ah, eu só quero amor
Seja como for o amor
Seja bom, seja bom,
Seja bom, seja amor
Me faz mais feliz
Me dá asas pra fluir
E cantar o amor

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

reinvento

de ventanias me desfaço em pés descalços vou voar
num pé de manga vou deita e cantar pro Sol dormir

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Gosto

Mesmo que seja eu

Sei que você fez os seus castelos
E sonhou ser salva do dragão
Desilusão meu bem
Quando acordou estava sem ninguém
Sozinha no silêncio do seu quarto
Procura a espada do seu salvador
Que no sonho se desespera
Jamais vai poder livrar você da fera
Da solidão
Com a força do meu canto
Esquento o seu quarto pra secar seu pranto
Aumenta o rádio me dê a mão
Filosofia é poesia é o que dizia a minha vó
Antes mal acompanhada do que só
Você precisa de um homem pra chamar de seu
Mesmo que esse homem seja eu
Um homem prá chamar de seu



Agosto por ser assim é bom para pensar, talvez por que ele próprio com todos os seus tons nos faça sentir esse gosto do amargo e do doce juntos no fundo da garganta. Essas funduras que só um gosto refinado sente quanto mais se busca não sentir. E quanto menso se espera mais se pode gozar do privilégio da surpresa.

Ao contrário de aceitar as predições,
vou desenhando nesse céu sem nuvens meus desejos e vou contando de outros reinos pra ver se ele se encanta e escolhe minha casa para aconchego. encantando o agosto meu.


Mas aí vem outros gostos e percebo que o agosto de cada um me toma o paladar e revira minha vida, sempre. Gosto do agosto manchado desses gostos peculiares que espero inconscientemente todos os anos. Então que venham e que eu os multiplique em gostos distintos e desfeitos.

Desafio o agosto a ser só um e voltar todos os anos para reinar na minha boca.