O vento de julho despenteou um pouco os cabelos dele. De costas para o outro, rosto voltado para o escuro, braços abertos. como se dançasse. E foi dizendo, a cara erguida pra o céu coberto de fuligem molhada pelas gotas da garoa fria.
"In Tiângulo das Águas, Caio Fernando Abreu - Pela Noite"
Ele nem ao menos imaginava o que eu fazia olhando para o céu de forma tão suplicante?
Ausente dos meus pensamentos talvez me visse indiferente na perdição de estrelas.
Me perdia nas noites em que fazíamos amor e desejava que nos misturássemos àquele azul e que fossêmos céu, mais em mais.
Jogados no breu da noite, era isso que éramos. Se ele pudesse jogar uma estrela e cair em mim, cairia cadente da janela e dançaria feito chuva tilintando no asfalto.
Ele, não adivinhava. Nunca adivinhou. Se a chuva falasse por mim.Mas perco a boca da chuva quando sua água limpa encontra meus lábios frios. Danço o compaso da água por que sei que ela me alcança, e assim eu alcanço o céu
E mais uma vez me entrego ao breu e soo chuva na janela rasgando notas soltas de uma música minha.
Vermelho escreve-me adensamente
Vermelho escreve-me adensamente no corpo criado pelo sorriso de uma flor
domingo, 25 de julho de 2010
sábado, 17 de julho de 2010
Aproveitar o pulso dos instantes. Saborear a plataforma em que a consciência deseja atirar-se para além do que vê. O ultimato do pensamento pulsante que exige a transposição das vias comuns, a elasticidade dessa capacidade de multiplicar as raízes e asas do esvoaçar de idéias. Transpassada pela vastidão de sentido que um átomo de segundo pode carregar.
Transpassar o acontecimento pelo acontecimento
Transpassar o acontecimento pelo acontecimento
domingo, 10 de janeiro de 2010
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
Coisa-Pérola
A própria beleza é uma coisa pérola que pode ser definida como dura abstração (obtenção) diária. Faz-se singela, delicadamente, nos dedos de quem cuida da própria pérola e suaviza a dor da obtenção da pérola alheia. Ai como o fundo das coisas nos incomoda... E por quê? Por que nos negamos a vasculhar o infinito do outro, de nós?
Corpos solitários desejando encontros é isso que somos.
Ah não, mas não permito estar longe. Certamente o mais desligado olhar volta-se e faz-se presente. A menos que esteja desligada do mundo para receber carinhos e abraços sinceros. Pois, saio de mim e dou- te um abraço de boas vindas novamente.Mais uma vida recomeça.
sábado, 26 de dezembro de 2009
Aqui
Querer estar aqui. Isso já é o bastante para mim.
Sentir isso que está pulsando e cada vez mais forte me chamando pra dançar.
E eu vou. E danço, danço, danço...
Quantas vezes me chamarem estarei lá,
minhas veias borbulhantes, meu sangue fervendo e correndo dentro de mim.
Essa doce contenção de transbordar.
Isso é tudo que me move agora.
Rodopiar no meio do salão e verter sangue em mim mesma....
Sentir isso que está pulsando e cada vez mais forte me chamando pra dançar.
E eu vou. E danço, danço, danço...
Quantas vezes me chamarem estarei lá,
minhas veias borbulhantes, meu sangue fervendo e correndo dentro de mim.
Essa doce contenção de transbordar.
Isso é tudo que me move agora.
Rodopiar no meio do salão e verter sangue em mim mesma....
Em feitio
Fui caminhando, abrindo as janelas do coredor imenso. Panos brancos e cortinas nas janelas.
Sentia apertar os nós da garganta, agora já espalhados pelo corpo todo. Aquela sensação de não-estar.
Momento branco de vida. Momento não passado.
Todos os arredores indicavam que algo estava acontecendo.Apenas para mim a vida estava imersa. Não sabia com alcançar aqueles corpos em festa. Enxergava apenas o branco
das cortinas.
Nehuma fresta, nenhuma luz.
Sentia apertar os nós da garganta, agora já espalhados pelo corpo todo. Aquela sensação de não-estar.
Momento branco de vida. Momento não passado.
Todos os arredores indicavam que algo estava acontecendo.Apenas para mim a vida estava imersa. Não sabia com alcançar aqueles corpos em festa. Enxergava apenas o branco
das cortinas.
Nehuma fresta, nenhuma luz.
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